8 meses e chegou a nossa hora de embarcar

Esse mês já começou com novas consultas e um monte de solicitações de exames para a Sofia. Tudo isso mais por causa da mudança. A pediatra nos pediu a avaliação de um endócrino e lá fomos nós, acompanhadas da vovó Ivone. Nesta consulta uma enorme lista de exames para fazer: de sangue, urina, rx …. Ok, vamos fazer, pois são importantes para viajarmos com tranquilidade.

O Raio X foi tranquilo, porque ela tinha que colocar a mão numa placa em cima de uma mesa. A primeira tentativa ela arremessou a placa longe e achou o máximo.  Ficou batendo palmas pelo feito. Na segunda tentativa o técnico se utilizou de suas artimanhas circenses e conseguimos fazer o Raio X.


Mas os exames de sangue foram horríveis. Era preciso encher 5 tubos de coleta retirados daqueles mini bracinhos por técnicas de enfermagem sem experiência alguma com criança pequena. Resultado do primeiro dia de tentativas: os dois braços com vários piques errados, rochinhos e apenas 2 tubos foram preenchidos. Acho que ela passou por 3 ou 4 técnicas diferentes tentando fazer o procedimento. No dia seguinte tentamos novamente, mas pedi que alguém com mais experiência pudesse fazer a coleta, se não nem começassem, porque eu não ia deixar que a machucassem mais. Enfim, conseguiram realizar o procedimento. Ufa!


Na consulta com a endócrina, tudo certo novamente. Sofia está ótima, porém  com uma ressalva: o peso. Esse sempre é um detalhe nas avaliações. Ela sempre está abaixo do peso ideal, mas se desenvolvendo bem. Não pode ser o só o biotipo da minha guriazinha? Afinal ela se alimenta super bem, assim como apresenta um ótimo desenvolve físico e cognitivo. Tento não encanar muito com isso e sigo cuidando sua alimentação de forma saudável.

A última semana no Brasil foi a mais complicada. Calor de mais de 40º e muita coisa ainda para ser feita. Não dava tempo nem pra olhar pro lado. E, no meio disso tudo, dois dias antes de eu embarcar, saiu a minha cidadania Italiana. Show, nem acredito. 10 anos aguardando um retorno, já nem esperava. Mas, para que de fato possa fazer o novo passaporte, ainda neste ano, precisaria voar na sexta-feira com alguns documentos e contar com o apoio de quem ficou no Brasil para fazer o restante. Desse jeito vamos poder terminar o processo em Dublin e morar em qualquer lugar da União Européia. O Cássio quando soube ficou tão feliz que acho que quase planejou nossa próxima mudança, para outro país, logo após nossa chegada na Irlanda.

Chegou a nossa vez de embarcar. Durante este dia a casa da mãe ficou lotada. Vovós, vovôs, tios, tias, dindos, primos, biso…… todos queriam se despedir e curtir mais um pouquinho a guriazinha. Ganhamos muitos carinhos, muitos presentes e, principalmente muita ajuda.

No aeroporto foi outra parte muito difícil do projeto. Porém, com essas dificuldades eu não estava contando. Eu e minha mãe, que me acompanhou na viagem, já estávamos ansiosas porque não sabíamos como a Sofia ia se portar com tantas horas em seu primeiro voo e, pra complicar, nosso inglês é péssimo. Eu achei que tinha somente esses problemas, no fim foi muuuuuuuito pior.
Eu e a Sofia não fomos autorizadas à embarcar no Brasil porque não tínhamos uma passagem de volta. Não acreditei. Como assim?!? E todos os documentos que eu e o Cássio fizemos para comprovar que estamos indo morar na Irlanda? Não valem nada? Fizemos tudo o que a Polícia Federal indica para esse tipo de viagem. Nos deram desculpas pouco explicativas e, depois de 1h e 30min, para poder ver o Cássio e ficar mais uns 5 minutos para me despedir da família, resolvi comprar as passagens de volta, mesmo sem previsão de retorno. Que roubo. Não tenho outra palavra.

Ficamos com poucos minutos para nos despedirmos de todos. Foi muito ruim e cansativo, mas pelo menos até o dia seguinte estaria junto com o Cássio. Isso é o que vale.
Quando embarcamos não consegui dormir direito. Estava preocupada com a Sofia e ansiosa pela passagem por cada país para os próximos embarques: Lisboa e Londres. Mesmo com a passagem de volta poderia ter problemas por estar viajando com a Sofia sem o pai.
A Sofia dormiu durante todo o voo, coisa mais querida. Não teve nenhum problema, bem pelo contrário acho até que adorou.

Chegando em Lisboa minha ansiedade estava à mil. Segundo o atendimento no aeroporto do Brasil, esta seria a parte mais difícil de passar. Podendo inclusive me mandarem de volta pra casa. Pois bem, aconteceu o contrário. Tive o melhor atendimento durante toda a viajem e nenhum questionamento sobre eu estar viajando com a Sofia sem o pai. Continuo achando que foi um grande erro o atendimento no aeroporto brasileiro.
Agora em Londres, foi muito complicado. O atendimento foi péssimo e eu não conseguia me comunicar. Um brasileiro que estava na fila se ofereceu para ajudar sendo um intérprete pra nós e foi autorizado ficar nos auxiliando por pouco mais de 5 min. Ele relatou a nossa mudança para morar na Irlanda, que o Cássio já estava à nossa espera e mandaram ele seguir pra avião. Nós, seguimos tentando apresentar os documentos, cartas, green card ….. até que, depois de uns 20/30min nos liberaram para a próxima etapa ainda no aeroporto de Londres. Neste próximo ponto o cartão de embarque da Sofia apontava erro como se fosse falso. Nos tiram da fila mandaram esperar e foram fazer verificações. Depois de intermináveis minutos, tudo ok, liberadas para embarcar. Ufa!!! Vamos para o último aeroporto, cada vez mais ansiosa, mas também cada vez mais pertinho do Cássio.

Enfim aeroporto de Dublin. Vivi uma mistura de sentimentos: ansiedade, felicidade, medo…. Na última etapa, a imigração, pediram para sairmos da fila novamente e aguardar. Ali pensei: talvez tenha que voltar, não acredito, fomos tão longe?!? Mas não foi o que aconteceu. Verificaram todos os nossos documentos e autorizações possíveis por um longo tempo, mas nos atenderam muito bem. Liberadas. Podemos nos encontrar com o Cássio.
Pela carinha que ele estava, quando nos viu, certamente estava mais ansioso que nós. Ele não tinha a menor ideia de como estávamos e de tudo que tínhamos passado até ali. Durante essa jornada consegui enviar somente uma  mensagem onde avisei que tínhamos chego em Lisboa e estávamos bem.
Eu estava tão agitada pelo cansaço e ansiedade que nem vi o caminho de Dublin até Athlone. Quando chegamos no apartamento foi lindo. O Cássio tinha organizado tudo para a nossa chegada. A mesa da cozinha cheia de coisinhas boas e um enorme balão do Mickey para a Sofia. Ela adorou este balão. Brincou muuuuuito com ele. Os outros brinquedos estavam todos juntos na frente da janela da sala. Um amor. A geladeira estava abastecida, camas arrumadas. Tudo perfeito.

Depois desta jornada toda da viagem posso dizer que as etapas mais difíceis  do projeto Irlanda estão finalizadas. As próximas serão mais fáceis e bem mais curtidas.

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5 comentários sobre “8 meses e chegou a nossa hora de embarcar

    1. Pois é na verdade nem eles sabem porque cobrar uma passagem de volta. Pior é que eu passei por tudo isso de novo quando estive em férias no Brasil. No embarque em Porto Alegre eu tive que comprar uma passagem de volta só para a Sofia. Depois do estresse até dei risada. Imagina Sofia sozinha pegando um voo. Piada. Isso tudo aconteceu porque não tem um registro formal de residência da Sofia na Irlanda. Tipo uma conta de luz, água …. kkkk

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