Entre o tempo e as expectivas

Penso que o tempo é medido pelas expectativas.

Veja bem. Sofia já tem 2 anos. Parece que foi ontem que ela nasceu e agora está aqui caminhando, pulando, correndo, aprendendo a falar e buscando sua identidade. Caramba! O tempo voa.

Ou não, talvez ela tenha só 2 anos. Uma vida inteira pela frente. Tantas oportunidades, coisas para aprender, escolhas à fazer, tempo para se transformar mil vezes. Enfim ela tem o tempo de uma vida.

Mas afinal que tempo é esse que passa entre nós e a gente não vê, não sente, não toca e com certeza pouco entende? Ele está muito além dos nossos simples sentidos.

Nossas expectivas o gerenciam. Na verdade oferecem um pseudo controle.

… já faz tempo, foi ontem e é agora.

Isso é o tempo. Depende de um ponto de vista. De uma referência para partir seu olhar. Depende do que se quero e do que posso ver.

Meu olhar sobre o tempo mudou muito depois da chegada de Sofia.

Um mês antes dela nascer meus planos eram: voltar ao trabalho no término da licença maternidade, me mudar para outro apartamento, buscar cada vez mais estabilidade, conforto e segurança para ela. Afinal já passei dos 30 e o tempo não colabora.

Então, quando ela nasceu o que mais queria neste primeiro mês era só dormir mesmo. Eu quase não tinha tempo para isso.

No segundo mês eu não entendia como uma possibilidade a proposta do meu marido para morar fora do país.

No terceiro mês, faltando tão pouco para o meu retorno ao trabalho, me questionei:  porque não arrumo as malas agora mesmo?

Bom, da história de que já tenho mais de 30 anos passou para só tenho 30 anos, então ainda posso e devo fazer muitas mudanças. Aos 8 meses da minha pequena embarquei para a Irlanda.

As expectativas em cima do tempo estão a todo momento presentes.

Sempre ouvi que cada criança tem seu tempo, mas destas mesmas pessoas algumas vezes ouvimos que o filho do vizinho esta demorando para engatinhar, caminhar, comer sozinho, falar, entrar para faculdade, casar, ter filhos, … vai ser assim a vida toda.

A gente vive de expectativas. Também não posso dizer que isso é tão ruim assim, porque em alguns momento elas nos oferecem energia para buscar coisas novas.
Cada um tem o seu tempo e esse tempo é regado de expectativas externas e internas.

Podemos escolher viver só de expectativas ou viver sem expectiva alguma.  Ambas as situações não vão ser legais. Deixemos de lado então, só os excessos.

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3 comentários sobre “Entre o tempo e as expectivas

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