Quando um filho fica doente

Por mais simples que seja um resfriado ou uma dor de barriga um filho doente traz uma preocupação enorme, além de ansiedades, medos e fantasias.

Mesmo com alguma experiência prévia e conhecimento básico sobre o que está se passando naquele momento, a cada resfriado novo pânico materno. É assim que me sinto infelizmente.

Sempre me achei exagerada quanto as preocupações com a saúde da Sofia. Claro que é importante acompanhar, avaliar, levar ao médico…. mas se Sofia só tropeçou brincando ou soluçou por alguns segundos talvez não seja o caso de uma emergência.

Nas 2 ou 3 últimas vezes que levei Sofia ao médico voltei com a mesma frase:

“Sua filha está bem e por isso não vou receitar nenhum remédio nem solicitar exames”.

Como assim?

Que difícil ouvir palavras que na verdade deveriam trazer somente alívio.

Há um detalhe importante para entender melhor esse tipo de resposta médica. Aqui na Irlanda se evita ao máximo a prescrição de medicamentos principalmente para crianças. Mesmo medidas de conforto, algum medicamento que amenize sintomas, somente são prescritos se os pais questionam ou fazem uma cara de desapontamento como foi o caso na última consulta do médico da Sofia.

Depois de ouvir que ela estava bem, embora com um leve resfriado e que em poucos dias ficariam bem sem necessidade de medicação é possível que minha expressão de desapontamento tenha ficado evidente. Então o médico resolveu que poderia prescrever alguma coisa simples para sintomas, mas só porque nós, os pais, estávamos desapontados.

Obviamente que não a mediquei, mas tudo isso me deixou pensativa. Se há um nome específico, um remédio salvador de todos os males nos sentimos com menos medos. Talvez assim o monstro que nos causa ansiedade, medos e fantasias agora tem nome, então sabendo com quem lidar amenizamos nossas emoções.

Esse ainda é o meu jeito de lidar do mesmo modo com um simples mal estar e uma doença grave. Trabalhei em 3 hospitais diferentes, sou obsessiva, neurótica e ansiosa. Acho que estes detalhes ajudam no perfil. Mas não sei se outras mães e pais não se identificam comigo e agem exatamente dessa forma. Se isso é verdade, então talvez eu seja normal.

No próximo resfriado tenho expectativas de lidar de um jeito diferente com este tipo de cenário. Quero ao menos ficar só feliz em ouvir do médico que a Sofia está bem e que não precisa de remédios. Também quero conseguir suportar mais este ciclo de pelo menos 1 semana de tosses, noites mal dormidas, ansiedades, medos, fantasias e monstros sem nomes. E lembrar que Sofia tem saúde, mas como uma criança normal eventualmente seu organismo irá reagir, cansar, se defender dos bichinhos que encontra pelo ar. Principalmente de um ar chamado escolinha. E depois que tudo isso passa minha única certeza é que volta e eu sinto tudo de novo…

 

 

 

 

 

Anúncios

3 comentários sobre “Quando um filho fica doente

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s